quinta-feira, 7 de novembro de 2013


Medidas de Vantagem

Gostaria de expor em palavras escritas algo que há algum tempo vem
me intrigando em relação a política de “privilégios sociais”
que atendem a uma parcela da sociedade e “tais”
“medidas de vantagem”, lógico, tendem a priorizar uns
em detrimento de outros

Pois bem,
o cenário é esse:
Quando o cidadão brasileiro está na mais tenra idade
e passando pela etapa da vida na qual dedica seu tempo aos estudos
e provavelmente está cursando alguma faculdade ou ensino médio,
este cidadão tem direito a “carteirinha de estudante”.
Com isso, ele pode ter desconto de 50% em shows, peças de teatro, cinema
e etc. e torna-se muito mais fácil o acesso a entretenimento e lazer,
pagando por eles a “meia-entrada”
...
E  tem vantagem em relação aos demais,
ou seja,
em relação àqueles que não estão mais nessa “fase” da vida...
Sim, porque entende-se por estudante,
cidadãos que tem entre, sei  lá,  18 e 25 anos de idade
Porque ninguém fica fazendo faculdade a vida inteira,
E ninguém fica fazendo ensino médio a vida inteira

...

Existem creches sociais,
bolsa-família, etc.
Bem... aqui merece um elogio, sim
Sou totalmente de acordo com o bolsa-família,
ao contrário do que muita gente pensa,
é o bolsa-família que vai ajudar este país a se desenvolver mais

Prefiro mil vezes mais bolsas-família a “essas” meia-entradas
que só querem atender a
interesses específicos,
 de setores específicos,
e com lucros específicos...

Mas, voltando ao assunto...
Temos várias iniciativas que são realmente boas
para as pessoas  que carecem
de algum tipo de ajuda...
Mas, então temos que pensar em ser
justos e atender às pessoas de acordo com suas
necessidades;
se o cara quer suas salas de teatro cheias,
salas de cinema cheias, shows e eventos lotados
e existem pessoas que são o público a
ser assistido por essa ajuda...
Então que seja assim...
Nada contra!!!
Elas agradecem...
Até eu agradeceria... se estivesse nos meus 18,19 e tal...
 Mais até aí...
Todo mundo é ajudado
Todo mundo é assistido...
Existem até mil ONGs por aí...
E a terceira idade hoje, também seus mil privilégios!!!

Quando a pessoa está nos seus áureos tempos
de maturidade...
tornaram-se senhoras e senhores,
homens idosos e mulheres idosas,
tem também seus privilégios sociais...
Eles podem viajar de avião e pagar  mais barato
por isso e usufruir de descontos só por serem
pessoas de “mais idade”
...

Por “tantas” e “outras”...
É assim mesmo que eu escrevo, por tantas e outras
eu escutei no rádio também
que pessoas que tem renda de "tanto"...
recebem um auxílio de um “tanto de tanto”
designado a cultura e lazer

Ótimo!
Eu realmente acho ótimo!!!
Nada, nada, nada contra!
...

Mas e aí?
...
Se o cidadão brasileiro não é mais adolescente,
não seria mais o jovem  e
nem seria o idoso...

Se não tem o perfil
para ser assistido por qualquer  tipo
de ajuda que esteja  elencada
no rol dos “ajudados”,  “beneficiados”,
“os que tem prioridade”
e etc. e tal

Então,
provavelmente
terá o perfil  “dos que são preteridos”,
e “os que não tem vantagem”
com nada  e  em nada
a despeito de idade,
Condição social,
classe social
ou seja o que for
...

Não estou aqui pleiteando
nenhum tipo de vantagem,
aliás,
Considero esse termo “vantagem”
meio inadequado para o tema em questão

Não se trata de vantagem
Não quero vantagem
Quando digo vantagem
é porque muitas vezes
o que se sugere
é sim, uma "certa" vantagem...

Lógico que é muito mais interessante
se mostrar “bonzinho”e disposto a agradar
ao idoso, oferecendo-lhe descontos em viagens,
porque pode-se obter lucro com essa parcela da sociedade
...
Afinal,  após ter trabalhado
muito tempo , o idoso,
hoje aposentado,
teria  uma disponibilidade maior para viajar

O idoso representa  lucro!

Nesse sentido,
interessa  tornar  interessante para eles
essa “coisa” de viajar...

Pode-se obter lucro com isso!
E na verdade, é isso que  interessa!!!

Lucro!!!

E  os estudantes?
Bem,
lógico que é um público mais interessante
para frequentar shows, salas de teatro, cinema
e  ir a eventos ,pois,
por estudantes,
leia-se:
pessoas mais jovens e adolescentes

E  representam
o público-alvo que atende
e  tão-somente,
 atendem  a muitos interesses
que visam lucro!

Nossa! Como é interessante
tornar  interessante
para  este público-alvo
o que realmente 
interessa a ele e interessa  a quem tem
interesse nisso tudo...

Nossa!!!
É  realmente interessantíssimo!!!

...

O que estou tentando dizer
é que para sermos justos
e atender as necessidades das pessoas,
seria muito bom que
ao menos se empenhassem
em tornar mais coerente
e digo até, ético,
esses benefícios, ajudas, auxílios, vantagens
ou  sei lá como devo dizer
ou como queira entender

É bem provável,
lógico que sei disso,
que seria impossível atender a todos e
satisfazer a todos os interesses...
de todo mundo,
e todos ficarem super felizes com
mil ajudas, benefícios e  sei lá mais o quê...

Mas uma coisa é verdade
 e considero estar coberta de razão, sim


Se eu, hoje,
 por acaso,
brasileira, carioca e cumprindo a
minha existência na etapa atual da minha vida
não sendo nem tão jovem e nem adolescente
ou idosa,
estou correndo o sério risco de ser, estar e me
considerar  desassistida no meio de
tantas  “medidas de vantagem”
que são tomadas por políticas sociais.
Pois, na verdade, elas  são desenvolvidas
Para atender a interesses que vão gerar lucros
E daí?


Eu , enquanto,  ser-humano,
tenho que admitir para mim mesma
que sou  tratada como um produto do meu país
que faz parte da parcela da sociedade
que não gera lucros;
E  conseqüentemente não
devo ser assistida por nenhum benefício
que seja considerado algum tipo de bônus,
que supostamente “mereceria”!

Ora,
não estou na terceira idade
para ter descontos em viagens
e nem sou uma estudante para
pagar meia-entrada,
por exemplo.

O que estou querendo dizer com isso?
Quando digo que pertenço a uma parcela da sociedade
que não gera lucros
é porque não há o interesse
em lucrar com pessoas
que estão no “ meio do caminho”
como eu,
pessoas  que não são tão novas
 e não são tão velhas
Ah!Ah!Ah!
Dá até vontade de rir!!!
Vou levar para o bom-humor!!!
É o que me resta!

E o que mais me faz rir ironicamente,
é que é a pura verdade
o que estou dizendo!

Sinto-me assim
Sou tratada assim
E  é assim mesmo...

Ao contrário do cidadão americano ou europeu,
ainda que tenham seus problemas  lá também,
eu me sinto sim,
meio assim... largada, deixada de lado
e  desrespeitada

Entenda melhor
 o que estou dizendo,
eu não estou nem lá nem cá...


Também gostaria de viajar com desconto!
Afinal,
nem viajar, eu viajo!

Se promovessem descontos,
eu não só viajaria,
como viajaria bastante!

Mas, não sou tão velha ainda
para  ter direito a viagens de avião
com descontos
...

Gostaria de aproveitar mais
as peças de teatro,
eventos culturais, ir a shows
 e freqüentar mais
a  vida cultural da minha cidade
enfim,
mas não tenho direito a 50% de desconto
e tenho que pagar sempre  a “inteira”...
É... não sou mais tão nova
assim...para pagar a meia-entrada
em eventos de entretenimento
Nossa!
Se tivesse esse “descontão” de 50%,
eu iria a todas as peças de teatro
que eu gostasse...
E com certeza iria a muitos shows
que eu gostasse também...

O mais “irônico” disso tudo
é que quando eu era estudante
não havia essa tal de “meia-entrada”

 E na verdade,
meu namorado tinha que
pagar sempre a “inteira”
E em qualquer  teatro, cinema, show
a gente tinha que pagar sem desconto
nenhum


Quer dizer,
sempre tive que pagar totalmente
pelo ingresso,
sem desconto
E agora,
que tem a “meia-entrada”
não é mais pra mim...
Não estou inserida neste contexto...

Estaria eu reclamando?
Não.
Não acho que seja isso.

Estou me sentindo triste.
Só isso.
Porque fazemos parte da força
do país. A classe média.
A classe média que produz.
A classe média que trabalha.
A classe média que procura dar
uma boa educação para seus filhos.
A classe média que já passou por “ poucas e boas”
e que sobrevive...
Porque sempre acredita , nunca desiste...
E é asssim...


Não vou ter auxílio por
condição de renda,
porque também não estou
inserida nesse “grupo”
Sei  lá, como seria
o meu “grupo”, ou meu “contexto”

Porque na verdade,
como já disse
anteriormente,
não estou lá nem cá,
estou no meio do caminho...
Não só eu,
 mas todos que fazem parte desse grupo
que  na sociedade,
não tem direito a descontos, benefícios,
meia-entradas e por aí vai...


Repito,
existem iniciativas que são
verdadeiramente ótimas!
Não sou contra!!!
Só gostaria que se sentissem
como me sinto!
 Gostaria, sinceramente,
de poder viajar com descontos

Gostaria, sinceramente,
de também ter  50% de desconto
em estabelecimentos de entretenimento

Mesmo  porque, eu sempre paguei
inteira  quando era estudante,
e nunca ninguém pagou nada para mim

Bem,
“justiça seja feita”
Meu namorado, na época,
meu marido hoje,
é que sempre pagou e
nunca tivemos direito a “meia-entrada”
porque não existia isso!

E hoje, formamos uma família
 que contribui corretamente com
seus deveres quanto ao pagamento de impostos
e  priorizamos a educação do  nosso filho
E  como qualquer família
de trabalhador
que vive honestamente,
priorizamos o que não é supérfluo


Bem,
procuramos fazer a nossa parte!

Espero que algum dia
haja algum tipo de reconhecimento
Digo isso em nome de toda a classe média
que  sempre esta aí,
batalhando  para dar uma boa educação
para nossos filhos
E que muitas vezes,
fica assim...
triste ...

Porque  na  verdade,
acho que só sugam a classe média
E a gente ainda não tem “bônus” nenhum
de nada...

E... para uma gente
que sempre ajudou esse país a crescer...
E hoje, por motivos
aqui e ali...
não está inserida em contexto algum
para  nada...

E continuamos tendo nossos deveres
como cidadãos
E  cumprimos nossos deveres

Mas,
até hoje,
os direitos como cidadãos...
para me sentir  uma cidadã assim...respeitada
Eu não sinto muito isso não!


Apenas tentei  expor
em algumas linhas o que tem
me intrigado muito!


Com carinho,
Erica

       

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